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Já pensou no motivo das crianças gostarem de usar a mesma coisa todos os dias?

Publicado em 01.10.2026 |

Entre a camiseta favorita, o brinquedo inseparável e aquele calçado que não pode faltar, a repetição faz parte de uma fase importante do desenvolvimento infantil e tem muito mais significado do que parece. 


Se você convive com uma criança, provavelmente já ouviu alguma versão dessa frase:

“Mas eu quero essa!”

Pode ser a mesma camiseta de ontem. O mesmo pijama. O mesmo tênis. O mesmo personagem estampado na roupa. Às vezes, não importa quantas opções existem no armário: a criança simplesmente quer aquela coisa específica.

Para os adultos, isso pode parecer teimosia, mania ou até falta de vontade de experimentar algo diferente. Mas, para a criança, repetir pode ter uma função muito mais importante.

A infância é uma fase de muitas descobertas. Todos os dias aparecem lugares novos, pessoas novas, regras novas, palavras novas e situações que ainda precisam ser entendidas. Nesse cenário, ter algumas coisas conhecidas por perto ajuda a criar uma sensação de previsibilidade.

E é justamente aí que começa a explicação para aquela vontade aparentemente insistente de usar sempre a mesma coisa.

Crianças gostam do que conseguem prever

Para um adulto, vestir uma roupa diferente dificilmente representa um grande acontecimento.

Para uma criança pequena, porém, muita coisa ainda está sendo descoberta.
Uma roupa pode ter uma textura diferente. Um calçado pode apertar em algum lugar. Uma camiseta pode ter uma etiqueta que incomoda. Uma fantasia pode ser divertida, mas estranha de vestir. Até mesmo a sensação de colocar alguma coisa nova no corpo pode exigir adaptação.

Quando a criança já conhece determinado item, ela sabe mais ou menos o que esperar.

Ela conhece a sensação.

  • Sabe como veste.
  • Sabe como fica.
  • Sabe que gosta.

E, principalmente, sabe que aquilo funciona para ela.
Por isso, repetir pode ser uma maneira simples de escolher aquilo que já é familiar em meio a tantas novidades.

A repetição também ajuda a criar uma rotina

Crianças pequenas costumam se beneficiar bastante de rotinas porque elas ajudam a organizar o dia.

  • Hora de acordar.
  • Hora de comer.
  • Hora de ir para a escola.
  • Hora de brincar.
  • Hora do banho.
  • Hora de dormir.

Quando alguns elementos se repetem, a criança começa a entender a sequência das coisas.
A mesma lógica pode aparecer nas pequenas escolhas.

“Vou usar essa roupa.”
“Vou levar esse brinquedo.”
“Quero esse calçado.”

Não significa necessariamente que a criança esteja recusando todas as outras possibilidades. Muitas vezes, ela simplesmente encontrou algo que já faz parte daquele pequeno universo de coisas que ela domina.

E isso pode ser especialmente importante em momentos de mudança.

“Eu quero esse!” também pode ser uma forma de autonomia


Existe outro detalhe interessante nessa história: conforme a criança cresce, ela começa a perceber que pode fazer escolhas.

Isso é enorme para ela.
Escolher a roupa, o brinquedo, o desenho que quer assistir ou o calçado que deseja colocar pode ser uma das primeiras formas de experimentar autonomia.

O adulto pensa:
“Tem cinco opções. Por que ela quer justamente essa?”

A criança pensa:
“Porque eu escolhi.”

E existe uma diferença importante aí.
Nem sempre a escolha precisa ser a mais lógica para o adulto. O valor dela pode estar justamente no fato de ter sido feita pela própria criança.

É uma maneira de dizer: “Isso é o que eu gosto.”

E existe também o vínculo emocional

Alguns objetos deixam de ser apenas objetos.

  • Uma camiseta pode lembrar uma viagem.
  • Um personagem pode estar associado a uma fase que a criança adora.
  • Um brinquedo pode ter sido presente de alguém importante.
  • Um calçado pode acompanhar os primeiros passeios, idas à escola, brincadeiras no parque ou momentos em família.

Com o tempo, aquele item passa a carregar pequenas histórias.
É por isso que algumas crianças ficam tão apegadas a determinadas coisas.

Não é necessariamente sobre o objeto em si. É sobre o que aquele objeto representa.
Essa relação ajuda a explicar por que, às vezes, uma criança prefere um item antigo e já bastante usado a outro novinho em folha.

Para ela, o novo pode ser simplesmente novo.

O antigo já tem história.

Quando a criança encontra algo de que realmente gosta

Isso também ajuda a entender por que algumas peças do guarda-roupa infantil acabam sendo usadas muito mais do que outras.

Não necessariamente porque são as mais bonitas.
Nem porque são as mais caras.
Elas simplesmente entraram na categoria das coisas que a criança escolheu como favoritas.

Pode ser uma roupa que ela considera divertida. Um personagem que ela adora. Um calçado que ela já conhece e gosta de colocar sozinha.

E, quando isso acontece, o produto deixa de ser apenas uma peça do armário e passa a fazer parte da rotina.
É uma diferença pequena, mas importante.

Na infância, aquilo que funciona bem no cotidiano costuma ganhar espaço rapidamente.

Por isso, escolher produtos infantis vai além da aparência

Para os adultos, é fácil olhar primeiro para a cor, a estampa ou o personagem.

Mas, para a criança, a experiência de usar aquele produto pode ser muito mais determinante.
Ela consegue colocar sozinha?
Consegue tirar?
O formato facilita os movimentos?
A criança se sente bem usando?

Ela consegue brincar, correr e acompanhar a rotina normalmente?

Essas características podem fazer com que determinado item se torne um dos favoritos.
No caso dos calçados, por exemplo, existe uma diferença enorme entre aquele que a criança acha bonito e aquele que ela quer colocar de novo amanhã.

E essa preferência é construída justamente no uso.

A infância também é feita dessas pequenas obsessões

Quem já acompanhou uma criança por alguns anos sabe: as fases passam.

Hoje ela quer usar determinada cor todos os dias.
Amanhã só quer saber de dinossauros.
Depois descobre um personagem novo.

Em algum momento, aquela roupa favorita deixa de ser a favorita.
E tudo bem.

Essas preferências fazem parte da construção da identidade e da descoberta do próprio gosto.
O que parece uma insistência sem sentido para um adulto pode ser, para a criança, uma maneira de experimentar escolhas, criar referências e encontrar pequenas coisas que fazem sentido dentro de um mundo que ainda está sendo descoberto.

Talvez seja por isso que aquela pergunta clássica:
“Você não quer usar outra coisa hoje?”

Receba tantas vezes a mesma resposta:
“Não. Quero essa.”

O que parece repetição pode ser uma memória sendo construída

Existe algo bonito nessa fase que só percebemos depois.

As coisas que uma criança insiste em usar hoje podem se transformar em lembranças amanhã.
A roupa das férias.
O calçado usado nos primeiros passeios.
A camiseta que aparecia em quase todas as fotos.

O brinquedo que precisava estar junto em qualquer lugar.
São pequenos detalhes que acabam registrando uma fase da infância.
E talvez seja justamente por isso que algumas preferências infantis sejam tão intensas: a criança não está apenas escolhendo o que usar naquele dia.

Ela está construindo, aos poucos, referências sobre o que gosta, o que reconhece, o que faz parte dela e o que a acompanha em sua rotina.

No fim, não é sobre usar a mesma coisa

É sobre encontrar algo que faz sentido.
Para nós, adultos, repetir uma roupa pode parecer falta de opção.
Para uma criança, pode significar segurança, familiaridade, autonomia, diversão ou simplesmente preferência.

E existe uma boa lição nisso.

Antes de perguntar por que uma criança quer usar a mesma coisa todos os dias, talvez valha perguntar:
o que ela encontrou naquela coisa que fez ela gostar tanto?

Porque, muitas vezes, a resposta está justamente nas pequenas experiências que acontecem enquanto ela usa aquilo. 
E é assim que um simples item do dia a dia pode acabar ganhando um espaço muito maior do que imaginamos.

Na Boaonda, essa relação com a infância também aparece no desenvolvimento de calçados pensados para acompanhar diferentes momentos da rotina das crianças, da escola às brincadeiras, dos passeios aos momentos em família. Porque, quando uma criança escolhe espontaneamente aquilo que quer usar de novo, existe ali uma das formas mais sinceras de mostrar que aquele produto realmente entrou na vida dela.

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